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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Liberdade sem sapatos

Um dia, deixaria de ser menino.
 A vida empurra todo mundo.
 Não tem escolha.
 O menino, quando acorda,
 no futuro desconhecido,
 não tem mais o córrego,
 para andar em suas beiradas,
 tampouco verá mais os peixinhos.
 De que adiantou crescer?
 Para usar sapatos?
 Engraçado, é que era mais divertido
 refrescar os pés descalços
 nas águas rasas e cristalinas
 que corriam livres na natureza.
 Mas a vida nos faz perder a liberdade,
 por acreditar ser mais bonita a vaidade.
 Assim o coração amadurece
 e se enrijece com o passar dos tempos,
 pois há critérios para o uso dos sapatos.
 Eles têm que combinar com as outras partes
 do corpo também vestidas.
 Acontece que aí existem mais critérios.
 Os pés descalços correm livres
 nas margens dos córregos,
 sem nenhuma cobrança dos peixinhos,
 para vê-los nadar e brincar de esconder.
 Mas os sapatos estão presos nas vitrines,
 e somente saem de lá para brincar
 obedecidos os critérios dos homens,
 que por suas razões,
 estabelecem custos,
 diferentes dos da natureza.
 Evaldo


          TÉCNICA DIGITAL - DESENHO NAIF - Evaldo

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