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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Liberdade sem sapatos

Um dia, deixaria de ser menino.
 A vida empurra todo mundo.
 Não tem escolha.
 O menino, quando acorda,
 no futuro desconhecido,
 não tem mais o córrego,
 para andar em suas beiradas,
 tampouco verá mais os peixinhos.
 De que adiantou crescer?
 Para usar sapatos?
 Engraçado, é que era mais divertido
 refrescar os pés descalços
 nas águas rasas e cristalinas
 que corriam livres na natureza.
 Mas a vida nos faz perder a liberdade,
 por acreditar ser mais bonita a vaidade.
 Assim o coração amadurece
 e se enrijece com o passar dos tempos,
 pois há critérios para o uso dos sapatos.
 Eles têm que combinar com as outras partes
 do corpo também vestidas.
 Acontece que aí existem mais critérios.
 Os pés descalços correm livres
 nas margens dos córregos,
 sem nenhuma cobrança dos peixinhos,
 para vê-los nadar e brincar de esconder.
 Mas os sapatos estão presos nas vitrines,
 e somente saem de lá para brincar
 obedecidos os critérios dos homens,
 que por suas razões,
 estabelecem custos,
 diferentes dos da natureza.
 Evaldo


          TÉCNICA DIGITAL - DESENHO NAIF - Evaldo

domingo, 23 de novembro de 2014

Tudo passa



Vida,
que diante dos olhos,
passa.
Distrai com  sonhos
e cria esperança.
Diga se adianta ser sério,
ou se é melhor não ligar.

Tanto faz o que faça,
de pressa tudo começa
e  da mesma forma
tudo passa.

A ruga é o protesto do corpo,
a voz,
o acalento da vida,
o grito,
o desespero da alma.

A vida é um jogo
que não sei direito,
jogar.
Se puder escolher,
prefiro somente dançar.
Evaldo






Expectativas de uma nação dividida



FILOSOFANDO.

A pátria se desnuda e deixam nítidas suas cicatrizes.
Há um chicote no ar e não falta quem deseja alcançá-lo.
Ainda não podemos prescindir da cânfora para amenizar as dores, porque o homem aprecia as arenas.
Vivemos o mesmo cenário antigo da humanidade, onde o fundíbulo e o tacape foram de quase  todo abolidos, em face de novas armas sofisticadas, as mídias e as palavras, que ferem muito mais do que o corpo, atingindo também a alma.
A proposta milenar "amai-vos uns aos outros" não alcança credibilidade suficiente embora seja notória sua eficácia na ascensão do homem.

Juiz de Fora, 20 de outubro de 2014
Evaldo.