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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Poema Mundo das Ideias






O MUNDO DAS IDEIAS


As ideias não são minhas
São do tempo
De onde fluem

O receptor delas
Não fica no calcanhar
Nem no joelho
Nem no cotovelo

Fica nalgum lugar
Dentro do cérebro

Às vezes penso
Que sou eu quem pensa
As minhas ideias
Mas não

Apenas rodo a roda
E mudo de estação

Fico quieto
Escutando os sons que passam
Na minha mente
Tentando peneirar o que serve

Quem sabe cerco
alguma pepita preciosa?

Não precisa ser grande
Mas valiosa como diamante

Também não precisa tanto
Servem mesmo as semi-preciosas

Se bobear as bijuterias

Contanto que enfeitem meus sonhos

Quem sabe capto um som
Sem arranhão
Para embalar meu sono

As ideias não são minhas
Elas posam pra quem tem sorte

Mesmo assim sou pescador paciente
Pescador de ilusão
Que acredita na magia da vida
Pois cada dia é um milagre

Mas o tesouro não é a ideia peneirada
É a paciência que peneira a peneira
Como as mãos felizes
Que tecem qualquer fio

Olha como cantam os pássaros
Tecendo seus ninhos
Com fios quaisquer da natureza

Para eles são melhores
Os ramos secos e descartados

Quem sabe os mendigos também
São os preferidos de Deus?

Deixa-me acordar dos meus sonhos!

Raios e trovões são pesadelos
Que rasgam as redes do sono

Quero mesmo é um barquinho
E navegar em águas serenas

Deixe para os navios de grande calado
Navegarem em águas profundas
Pois tenho medo delas

Pode ser um problema sério ser rico
Se a viagem for de Titanic

Pensando bem
Talvez seja melhor
não pescar ideia alguma

Melhor viver como pedra
Em algum lugar
Não importa onde

Desde que não seja
Pedra de diamante
Para não despertar a cobiça

Nem pedra comum
Para não virar pó de cimento

Pensando bem
Talvez seja melhor não ser pedra

Nem fiapo para não acabar
No bico do passarinho

Nem mendigo
Para não depender do bolsa família
Isso pode despertar muita ira

Sendo rico é preciso cuidado
Para não afundar em águas turbulentas

-Ora!
Aquieta-te mente!
Seja vivente como qualquer vivente!
Pegue as penas e escreva teus sonhos!
Deixa de frescura e não escolha sonho!
Desenhe o gato mas também o rato!
A pulga e a abelha!
A traça e o fio de ouro!
Não duvide mais se há céu ou se há inferno!
Não vês que estão todos aqui?

-Uia!
Que sabão levei!
De quem não sei

Acho que foi duma ideia
Que passou voando por aqui
Ou estava quietinha
Calada
Escutando meus pensamentos

Acho que não gostou dos lamentos

Já não sei mais se é bom
Peneirar alguma ideia
Ou deixá-las passar

Opa!
É melhor ficar calado

A ideia pode me ouvir
E não trazer mais
Nenhuma pepita

Nem de ouro

Nem de pedra

E isso não é viver.



EVALDO














2 comentários:

josé roberto balestra disse...

“Creia, é próprio de um grande homem e de quem se eleva acima dos erros humanos, não consentir que lhe tomem um instante sequer da vida, e assim toda sua vida é muito longa, uma vez que se dedicou todo a si próprio, não importa quanto ela tenha durado.”

Estas são palavras do filósofo Sêneca, poeta e humanista (in “Sobre a brevidade da vida”), Evaldo, para quem, ao contrário dos chamados “ociosos” - entre os quais, segundo ele, incluímo-nos por sermos poetas e vivermos para nós mesmos -, os “ocupados” é que não sabem o que se3ja viver, porque sem perceber eles passam a vida sendo esmagados pela prosperidade que vão acumulando, e quando avistam o fim da jornada, aí, tardiamente almejam abandonar tudo para viverem apenas para si, e ainda dizem que a vida é curta. Todavia já não haverá mais tempo; eles não viveram por que disso se esqueceram no tempo em que poderiam fazê-lo.
Com fincas nessas orientações de quem olhou para a vida com os olhos da ética, o que quero dizer-lhe com tudo isto, meu amigo Evaldo, é que só pessoas iguais a você, que sabem separar entre os instantes da vida aqueles aos quais tomará só para si, é que conseguem a iluminação para permitirem à intuição aproximar-se de sua alma e dar-lhe linha, agulha e pano mais que suficientes para costurar uma beleza dum poema como esse seu “MUNDO DAS IDEIAS” aí acima.
Poema desses só poderia nascer mesmo era de um coração aberto para as aparentes pequenas coisas da vida, como é o seu, grato ao Divino Pai Eterno por elas. Com certeza sua vida será longa!

Parabéns, meu grand’amigo Poeta!

Fiquei encantado com seus versos agora. Fácil é escrever difícil, mas escrever fácil é que são elas... e isto você sempre tira de letra.

Um abração sincero deste amigo paranaense que muito o admira. ZR

Evaldo disse...

Olá, amigo!

Obrigado por nos brindar com o belo pensamento do filósofo Sêneca.
Sua referência nos vislumbra possibilidades, abre caminho de luz em nossa frente.
Creio que a busca por acertos é algo que acompanha todos nós e sorte tem aquele que consegue lucidez mais cedo porque não haverá do que se arrepender mais tarde. Entretanto, o preço a se pagar por isso é alto, pois a conscientização induz libertação dolorosa. Somos como átomos ligados uns aos outros e viver fora de células significa solidão. Mas isso faz parte do processo de evolução e cada ser haverá de desgarrar-se de suas células para juntar-se a outras, pois como viventes da Terra estamos sujeitos a experiências. Não temos ainda a clarividência de seres superiores que talvez habitem outras orbes, e nas suas vivências, talvez a felicidade seja permanente por já haverem superado densidades pesadas como a nossa da Terra.
Gostaria de orbitar os grupos dos poetas, dos escritores, dos filósofos, para amenizar minha solidão, porque sinto o desprender das células, mas este despertar ainda é incipiente para não sofrer.
Sofrer só, é pior do que sofrer junto a. Os poetas, os filósofos, não estão livres do sofrer, enquanto ligados a nossa condição humana, porque, creio, viver é sofrível quando se tem consciência.
Mas essa minha afirmativa, amigo José Roberto, é própria de iniciante. Creio que em outros andares da poesia os poetas e os filósofos não sejam inseguros e talvez lá hajam outros refrigérios para as almas como a de Sêneca, que por felicidade você lembrou.
Também devo referendar a excelência de sua escrita, tão suave, a nos dizer das coisas belas da vida. Aí, sim, posso dizer que essa é a verdadeira poesia, que além de encantar, ilumina com suavidade, desperta consciências.
Sou sempre grato pelas suas vindas ao blogue, e por isso, sinto-me premiado. Contigo há sempre o que aprender, sob o refrigério de suas palavras.

Apareça sempre que puder por esse espaço virtual.
Sua presença é motivo de júbilo.

Grande abraço.