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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lembranças de minha infância. Pessoas, estradas.












A soma das lembranças.

A fama corria, longe, pelas estradas antigas, de terra.
Havia uma família nas redondezas do Córrego São Pedro, com hábitos muito estranhos. É o que diziam sobre ela. 
Tinha medo de topar com algum deles pelos caminhos, principalmente com o casal de filhos que andava sempre em dupla. Pelo menos foi assim que os vi por duas vezes na estrada do Vale do Arruda, região onde moravam. Eram crianças pouco maiores do que eu, mas nos momentos em que os vi, passei por eles, desconfiado, com medo.
Soube que eles comiam carne de piriá, de saracura e também tanajura. Isso bastava para colocar medo em crianças. Entretanto, cresci, e nunca pude constatar nada sobre a vida particular deles. 
Creio que era apenas o preconceito que se espalhou. Foi uma oportunidade perdida de convivência.
Hoje relembro com ternura de todas aquelas gentes que conheci pelas roças de minha infância. A vida está passando e muitas daquelas picuinhas de tempos tão distantes não serviram para nada. Apenas distanciaram pessoas, muitas delas já se foram dessa vida, e o que ficaram foram lacunas que desperdiçaram melhores convivências. 
Lembro-me de nomes de pessoas e lugares que poderiam se tornar personagens de contos, tais as suas excentricidades. 
Saudades daquele tempo. Vinham os times de futebol de lugares como Quebra Coco e Racha-Pau, de Diamante e de Rodeiro, jogar campeonato no campo do sítio de meus avós, no Córrego São Pedro. Numa das estradas havia um morro com o nome de Morro do Levanta Saia. Acho que o lugar era assombrado, por isso, talvez, o nome.
Contavam causos do Joaquim Abóbora e do João do Morro, que moravam pelos lados do sítio de meus avós paternos, na Parada Moreira. Boas histórias, de trabalhadores que cultivavam bem a terra.
Os adultos sempre tinham uma história para impressionar crianças. Nunca vira um cachorro louco, que lá na roça a gente chamava de cachorro zangado. Nem onça, nem cachorro do mato. Nem homem-do-saco. Mas as histórias fantasiavam nossa imaginação. 
Todas essas coisas vão formando nosso ego, nossa personalidade. 
O tempo voa e com ele voam muitas folhas.
As folhas carregam historias.
Verdades e fantasias.
Todas servem para colorir nossas vidas, sedimentar nossas experiências, e nos tornar pessoas mais ou menos espetaculares.

Evaldo.











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