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quarta-feira, 30 de março de 2016

Lembranças da minha infâcia - o silêncio das tardes













Saudosa infância

Era assim que passavam algumas tardes:
- o vento também descansava.
Dava trégua às folhas.
Num canto cochilava o cão, na janela, o gato.
Os pássaros ouviam o silêncio...
... deitados em seus ninhos.

Evaldo


















Lembranças da minha infância - o final das roças
















VIDA QUE SEGUE
O orvalho molhava as folhas dos capins
e elas molhavam os pés descalços
que precisavam iniciar a rotina no campo.


Era assim a maioria das manhãs.

Dormiam as noites no sereno
para umedecer a pele da terra, 
cumprindo o passo engenhoso da existência.

Os pendões das plantas cheios de sementes
atraiam os pássaros que na labuta dos dias
iniciavam as danças corriqueiras.

Danças da vida que todo vivente precisa dançar
para trocar seus átomos que não repousam nunca.

Como seria o amanhã ninguém sabia.

O cenário daquele pedaço de chão transformou-se 
em quase nada.

Lá não vivem mais os pendões de arroz, ou de milho,
nem os pássaros que também festejavam as colheitas.

Só ficaram por lá terras secas e pasto sem graça e 
o tempo consumiu o resto das casas em ruínas.

Não há mais o engenho de cana, nem o grande taxo 
na fornalha para ferver o melado.

As gentes já se foram para o além, a maioria.

Restaram alguns meninos para testemunhar a história,
e escrever outras linhas.

É a vida que segue para construir novos sonhos.

Evaldo







Lembranças da minha infância - o camundongo







.

O CAMUNDONGO

Vida difícil a daquele camundongo.
Não podia aparecer em público que logo vinha alguém sobre o coitado, mas conseguia se esquivar das vassouradas.
Seus hábitos são geralmente noturnos e se apontasse mais cedo no terreiro tinha sempre galinhas atentas aos movimentos de qualquer miúdo que se aventurasse andar por ali. Além disso, para conseguir chegar escondido da gente à dispensa de alimentos, havia de passar pelo gato. No entanto, o amiguinho deu um jeito de aumentar a prole, fazendo ninho  debaixo do assoalho da grande casa antiga. Descuido do gato que era preguiçoso.
Certa vez descobri seu pequeno berço, forrado com capim seco, picado, suspendendo uma tábua velha, sem importância, que estava esquecida sob o assoalho, onde também descansavam as enxadas, os cacumbus, a enxó e outros apetrechos de uso no campo. Nalgumas casas os assoalhos eram mais altos e cabiam também a charrete, mas lá no sítio de meus avós havia uma coberta só para ela.
Fechei, então, maravilhado, a tampa do esconderijo, para olhar de novo os filhotinhos em outro dia. Afinal eu era um menino, quase tão pequeno quanto eles.
Não vi nada mau nos bichinhos, apenas a beleza de qualquer outra ninhada.
Quando voltei, entretanto, num outro momento, não havia mais nenhum deles. Eles crescem rápido. Acho que a mamãe camundongo se aportou naquele esconderijo por ser confortável, mas para maior garantia de proteção da prole, mudou-se, sem deixar pistas. Devem ter mudado para o mato, onde também proliferam, porém, é maior o número de predadores, especialmente as cobras, corujas e gaviões, além de cães, gatos e gente.
Todo mundo se vira para viver, ninguém tem sossego.
Nem o camundongo.

Evaldo








Lembranças da minha infância - O varal de roupa








Roupa nova e roupa velha

Quarava ao sol, sobre a grama selvagem, toda a roupa branca. 
Molhava-a e esfregava-a, antes, na bacia, com água e sabão.
Depois, esfregava de novo, enxaguava e estendia no varal feito com fio de arame farpado, para enxugar. 
O suporte do varal era feito de bambu. Com ele levantava e abaixava a fileira da roupa lavada.
No varal iam roupas de passeios e roupas remendadas para o trabalho nas roças.
No sítio da minha avó, uma das minhas tias tinha a incumbência de lavar e uma outra se encarregava de passar. 
As tarefas eram divididas.

Evaldo